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Escritos de Cado Selbach

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Escritos de Cado Selbach

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Publicado há 1799 dias - 0 estrelas

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PALAVRA SÍNTESE

Procuro - obstinado - a palavra síntese
Capaz de traduzir a profusão de sentimentos
Que descem caudalosos o turvo rio dos amores
Plurais e verborrágicos, desses de desfecho trágico
Em tons de ópera-rock e em árias de desespero
Solistas desafinados e cenários de isopor

A palavra versejada e proferida tal qual reza
Pra deuses que ensurdeceram

- ou perderam-se no tempo -

Submersos na indústria dos prazeres enlatados
Para o deleite dos olhos e frustração dos desejos
De um coração vagabundo em pulsação acelerada
E de um corpo acostumado a viver à flor da pele

Palavra de encantamento, feita de chumbo e éter
Pra fixar-me na terra enquanto uma parte brinca
De derramar-se no outro tal qual lava de vulcões
Pra umedecer a aridez do solo desses teus medos
Sobretudo o de tornar-se presa fácil dos afetos
Que propõe tua debandada com teus olhos assustados

Palavra que enfim traduza o tesão de nossos corpos
Em dança de sedução e eloquente liberdade
Conquistada qual tesouro em navio naufragado
Em mergulho insinuante na ilha de meus pecados

Meus pecados preferidos... e já tão penitenciados

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Publicado há 1799 dias - 0 estrelas

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EU EM VOCÊ

Sou a intersecção entre nós dois
O caminho do meio entre o que somos
Sou teu prato de comida e tua fome
O ventre agoniado de teus medos
Teu animal doméstico de infância
Os pés com que ensaias tua dança
Os olhos com que miras teu vazio
O leito silencioso de teu rio
Onda avassaladora de teu mar
A completa tradução do verbo amar
Tua rima pobre e fácil de cantar
Tua rima rica... pra te impressionar
Sou teu prato preferido em abundância
Sou teu velho, sou teu homem... tua criança

- Mas nem sempre o adulto que precisas -

Não importa sigo a sina de cercar-te
Mesmo que opostos tua venus e meu marte
Sou teu sopro de vida e hálito de morte
A navalha em teu pescoço... sou teu corte
A cortesã de teus desejos indecentes
O algoz de tua preguiça de servir-me
Qual rei nu e devasso em teus salões
Cantando a melodia das esferas
Domando cada uma de tuas feras
Fazendo rimas tolas tarde afora
E ouvindo teus resmungos de agora!

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Publicado há 1799 dias - 0 estrelas

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OBS(CENAS)

Picho o muro de teus dogmas
Com palavras obscenas
Provocando teu tesão sempre contido
A explodir em ato de profanidade

Profano teu jardim sagrado
Com cenas roubadas de velhas histórias
De mitos atemporais e seus deuses sem limites

Umedeço teus lábios ressecados
Com a saliva e a lascívia de minha boca
Com a saliva e a luxúria de minha alma
Com a saliva e os limites...

De meu corpo

Penetro-te qual raio na clareira
E grito tua vontade represada
E gozo de teus modos recatados
E gozo de teu medo de entregar-se

E gozo...

E o gozo desce as dobras de teu corpo
Serpente fertilizando tua pele
Qual leite pra salvar-te de tua fome

E ao ver-me tão seguro em teu domínio
Entendo que se assim então me imponho

Pra esconder menino amedrontado
Do visco que fusiona nossas peles

E me faz perguntar, ouvindo Chico:
Com que pernas sigo o rumo desta estrada?

E pra não me perder em nosso enlaço
Rápido enlaço meu cavalo alado
E num delírio de homem complicado

Acordo em tuas pernas enlaçado!



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Publicado há 1799 dias - 1 estrela

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MIRAGEM DE LIRISMO

MIRAGEM DE LIRISMO

Escrevo quando a garganta já não faz soar a dor do hoje
E a seleta de salada das palavras revoltosas venta em minha sala
Produzindo textos cheios de metáforas confusas qual poema apressado
Que talvez não ecoem em teu peito endurecido por sentenças de homens sérios
Que da vida esperam fatos e desprezam os mistérios...

Homens que não me interessam porque sempre estupefatos
Ante a tudo que não seja uma espécie de retrato
Das suas vidas de vitrines de poeiras invisíveis e antigas
Espanada por mulher desanimada e já sem saco
De cumprir uma rotina que bem rápido endurece
Corações glaciais de cidades sem luares... e muita fosforescência

Escrevo qualquer jóia qualquer bosta qualquer grito de basta
Escrevo porque sobra em meu corpo resquícios de desejos não vividos
Que se tornam palavras repetidas e temas recorrentes e sofridos
E leio essas palavras em voz alta e altos batimentos sincopados
Sacodem o meu peito arregaçado de onde foge pássaro ferido

E assim meio sem pressa mas nervoso, nasce este poema entardecido
Com versos arrastados... quase prosa... por que afinal proseando aqui me vejo
E caso não gostares - tããããão espichado - corre lá e liga um funk arretado
E esqueça a poesia - é bobagem - e faça do lirismo uma miragem.

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Publicado há 1799 dias - 0 estrelas

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Na cinza das horas   Poema de Cado Selbach

"Na cinza das horas " Poema de Cado Selbach

O outono anuncia sua chegada
acordando a timidez das árvores que desnudará.
e emprestando novas matizes
aos plátanos quase ausentes
dos caminhos que há muito esqueci

griz...
cinzas e névoas
desbotam no exílio do sol
e esvaziam as praças de finais de tarde

é outono em mim também
deixo cair em minhas folhas pensamentos

a sobra das ideias que deixei pra trás

pergunto-me sobre o inverno
com minha alma de cigarra que não reune provisões
e prefere a superfície nevada
às complexas construções
de silenciosas formigas

que se esquecem de cantar

na praça em frente
o balanço se move sozinho
pra que nosso olhar urbano
atribua ao inocente vento
a diversão do fantasma

fantasmas gostam de outonos e folhas secas
e acionam em mim o lirismo que nego
com risos e palavras

que sempre sobram um pouco

desço ao encontro do fantasma que balança
e brinco ao seu lado como cúmplice do desejo
de que a chuva vindoura
o redima de quem foi
e me redima do que sou

tudo é cinza próximo ao portão
só as folhas de ipê roxo sobre o carro cinza
rivalizam com a monocromia do dia

envolvo-me em tecidos
e desteço sorrisos veranis
pra desenhar no rosto
o ar contemplativo dos silêncios outonais

cubro com a colcha herdada
o amor que dorme ao lado
pra antecipar a chegada do frio que se anuncia
pra garantir seu sono e imobilidade até que eu retorne

do encontro que marquei à tarde
com os último raios de verão.


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VONTADE DE SURPRESA

VONTADE DE SURPRESA

Essa vontade

- Permanente -

De algo que me surpreenda...

Aproxima-me
Da esquina
De teus desejos suspensos

Que sobem à superfície
Dos teus lábios úmidos

E sopram poesias profanas
De santos homens loucos

Arriscam até canções
De pobres rimas fáceis
Poeira de amores frágeis
E difíceis desenlaces

Poemas de fim de tarde
Em praias enternecidas
De olhos maravilhados
Lendo a alma de Drummond

Vontade moto-contínuo
Propulsionando palavras
De tédio e de solidão

E gestos de filme mudo
Em cenas em preto-e-branco
De calçadas de outros tempos
Em que homens inocentes
Contemplavam o imutável

Apego-me à tal vontade
Tecelã de meus delírios
Costurados em partituras
De bossa e sambas-canções.

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UROBOROS

UROBOROS

A cada estalido do assoalho, ouço um passo teu se distanciando
Ainda que eu não saiba onde estiveste, quando ao lado meu não te alcançava
Desde que chegaste em teu silêncio, percebi que eras mais luz do que matéria
E quiz até gostar de teu talento, pra estar e não estar ao mesmo tempo

Na hora em que me pesam os teus passos, e arrastas o teu ódio pela casa
Recorro à velha imagem arquivada, de um outro rosto teu - esperançoso
E alí me refugio extasiado, buscando a eternidade em cada instante
E brilham os teus olhos do passado em rosto de sorrisos hoje raros

E sempre que escuto o teu silêncio, me ponho a escavar chãos de palavras
Que filhas de rancores e distâncias, assumem o tom griz da manhãs frias
Porém como já disse em outros tempos, manhãs são elegias à tristeza
Prefiro abrir os olhos logo à tarde, assim que te livrares de teu peso

Pois mudas quando giras, quando saltas... e mudam sobre mim teus sentimentos
E dos rancores brotam - surpreendentes - sorrisos feitos tons de fins de tarde
E é sempre neste tom alaranjado... que usas tua voz aquarelada
Pra desenhar cenários de futuros... tão cheios de calor e entendimento

Ou feitos em tom sépia... de saudades.

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O EU E O TEMPO

O EU E O TEMPO

E segue o tempo a desenhar sinais no meu rosto
E aprofundar minhas raízes na essência do que sou
Ser de alma fugidia e coração de poeta louco
E esguios movimentos qual mercúrio derramado
Num chão de solenes danças e marcha dos condenados
Ao amor arrebatado dos espíritos inquietos

Mais erros do que acertos; inocência do que vícios
E a certeza intermitente de um amanhã renovado
Sem limites nem fronteiras pro meu peito acelerado
E ideias de liberdade, anárquica e luxuriosa

Ideias que com frequência o próprio tempo aborta
Encaixotando-as no quarto dos desejos escondidos
Que visito vez em quando, quando espero libertar-me
De afetos que encarceram meus pés ágeis e alados
E sufocam o meu canto - que é grito engaiolado

E segue o tempo a domar impulsos de meu eu selvagem
Que sonha em correr despido na areia de um mar sagrado
A desenhar o caminho de um livre deambular
Sempre amarrotado de lembranças vivenciadas
E outras tantas inventadas em poemas sem sentido
Mas sentidos feito facas a rasgar a pele crua
De meu corpo já cansado

Mas nem tanto pra negar-te


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ARACNE



Teço os versos do poema

Tal qual a aranha sua teia

Que orvalho nas madrugadas
De lágrimas e suores



Pra que assim que nasça o dia
Brilhe o sol nas gotas d'água
Sacudindo a letargia
De meu corpo espreguiçado

- Da preguiça de existir num mundo mal acabado -

E exagero adjetivos pra enfeitá-lo de sentidos
Por preferir os excessos que a magia do entredito
Verborrágicas palavras sobre o pouco que já entendo
E que às vezes - sobrepostas - traem minhas intenções
Deixando escapar segredos de um "eu-lírico" apressado

E com pressa de dizer-me, entorno verbos de um jarro
Em que guardo protegidas minhas palavras transparentes
Proferidas em voz alta... e alta voltagem de afetos
No circo de meus horrores e amores sempre por perto

E tropeço toda hora em sílabas fugidias
Que se enroscam a meus pés qual tentáculos oníricos
Prendendo-me a velhos temas de tristezas desdobradas
moto-contínuo de vida sustentada por paixões
Quase sempre imaginadas e encaixotadas no sótão
Abarrotado de almas aprisionadas - mas vivas

E se um dia desabar o teto sob meu corpo
Cobrindo o chão da sala de meus mortos sempre vivos
Enlouquecerei um tanto pra dar-lhe as mãos em ciranda
Em alucinada dança do concílio dos banidos

E abraçarei meus fantasmas em gesto de boas vindas
Remontando na memória seus rostos feito mosaicos
Pois todos que já habitaram a caverna de meu peito
São partes fragmentadas do meu eu tão sempre inteiro

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"E sigo em meu
hedonismo teimoso
Meu caminhar solitário
Sempre bem acompanhado
Do
hoje, também do ontem.

Mas com radares voltados
pro vir a ser
do amanhã."


Frase retirada do poema "VIR A SER" de Cado Selbach.

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"Ando depressa
Porque a vida urge
E pulsa feito peito apaixonado...

E nesse corre corre cotidiano
...Tropeço na minha pressa
De hoje em dia

A pressa de querer-me mais inteiro
Pra enfim entender tuas metades
E essa mania que tens
De protagonizar todos os atos"

Frase retirada do poema "POEMA APRESSADO" de Cado Selbach.

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Amores dilacerantes


Não os vivo como antes


Por saber-lhes tão fugazes





e velozes




Frase retirada do poema "Vento uivante de vontades" de Cado Selbach.

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