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A Poesia é necessária

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A Poesia é necessária

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ronaldogiusti

Publicado há 1491 dias - 0 estrelas

Premiar

com tuas mãos
cavaste o teu destino
sorveste o veneno
receita da insanidade
ao teu redor.

vida que não era tua
terias o direito
de pô-la em xeque?

serias um jarro
precipitado da janela
que aos cacos colhemos
na manhã sombria
da rua osvaldo cruz
em são luís do maranhão?

assim
foi-se o enigma
do décimo andar
do edifício caiçara
o que eu nem imaginava
na minhas passadas
a caminho do ponto de ônibus.

levaste contigo
a história de amor
a história de dor
a introspecção
da tua adolescência
as aulas de inglês
do instituto yazig e as
do primeiro ano científico
do liceu maranhense.

conosco
deixaste a incompreensão de tudo
já que do tempo vivido
e do que não vivemos
ainda estás à frente
como quem persegue
o futuro inatingível...

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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a sala

a sala

de lá tiraram todos os móveis

o tapete enrolaram

e o deixaram encostado num canto

as cortinas ficaram entreabertas

e deixam passar um sol tímido pelas janelas

não há mais esperanças

pois a solidão tomou conta do quintal

da varanda e dos quartos

mas alguém diz que a poesia

enche de luz a sala:

são teus olhos...

duas pétalas negras

faróis brilhantes

que espero silente

na inquietude dos dias...

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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o que nos move é o medo

o que nos move é o medo

o medo de sofrer

e de morrer

o que amamos

se é que amamos:

apenas o que em nós

é precariedade

a vida é precária

só o silêncio é eterno

o silêncio tumular

que cresce entre muros

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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A POESIA NÃO TEM ESTADO CIVIL

A POESIA NÃO TEM ESTADO CIVIL
E NÃO SE IMPORTA COM A FIDELIDADE
É NA DOAÇÃO (IN) CONDICIONAL
QUE A POESIA SE LIBERTA
E TROCA O OURO PELO FLANDRE
O NÍQUEL PELO ARAME
O CIÚME PELO BEIJO
A CLAUSURA PELO AMOR LIBERTO...

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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sou plural

sou plural
o corpo singular
feito de barro e alma
sorriso e pranto
solidão e desejo
grito e silêncio
introspectivo e aberto
louco e lúcido
de paz e luta
sou o que quero ser
e o que não quero
falo de mim e de quem me olha
liberto-me e aprisiono-me
o que digo se escreve
com letras tortas
pois a vida é essa aí:
não a que escolhi
nem escolherei qualquer outra
sou assim:
rastro de mim e dos outros

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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que dor é esta que me toma o peito

que dor é esta que me toma o peito
e me consome a vida lentamente?
embora grande não me leva ao leito
é dor gigante a me deixar demente

eu que já tinha tudo por desfeito
vi-me tomar os dias a dor pungente
toda ela que já me havia eleito
o dono seu quase instantaneamente.

é dor de amor de ódio morte ou vida?
quem há de me dizer pro meu consolo
par’eu sentir a dor menos doída?

e vem alguém dizer que é do passado
vestígios de um amor mal concebido
a dor que há de me deixar curado.

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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minha carteira de identidade

minha carteira de identidade
identifica:
meu nome
não minha essência

vôo para mim
meu céu límpido
me invado
para encontra-me

vôo rasante procuro
sem o mínimo grito
me chamo

descubro-me
afinal
sem qualquer documento

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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eu a colhi como uma flor em um coletivo

eu a colhi como uma flor em um coletivo
(minha cabeça para fora da janelinha)
às duas da tarde no caminho
para o centro educacional do maranhão

tínhamos 13 anos e a inocência a vencer
o beijo sem volúpia o sexo a brotar
sob a calça(saia) curta do uniforme escolar

o namoro durou apenas o ano letivo
depois os dias quentes a brisa da avenida beira-mar
e o exame de admissão para o liceu maranhense
nos separaram definitivamente

por onde anda maria lúcia ribeiro?
é mãe tia avó? aos 46 anos de idade
casou-se separou-se suicidou
morreu de parto ou de doença?
é dona-de-casa operária
dentista ou advogada?

não não quero resposta!
como gullar quero apenas perguntar:
algo que ficou sem resposta
e que assim ficará para sempre

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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manuscritos engavetados

manuscritos engavetados
é o poeta resistir
à negação oficial

suicídio:
a negação do não-ser
a nudez do poeta
que reluz à sombra
do esquecimento geral

mistério da canção
é o poeta saber-se esquecido
mas também é não se esquecer:
ser poeta é estar na cidade
como a cidade está no poeta

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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vadico

vadico...
dona maria a enrolar charutos
que o menino venderia
nas ruas estreitas de são luís


e assim o status de adulto:
aos doze anos
o primeiro gole
a primeira mulher

o que restou da boêmia:
na bainha espada de penicilina
soldado à paisana na guerra
contra o exército de bacilos

era como se planasse
ladeira abaixo e era sábado
(a camisa de algodão inflada
pelo vento quente da tarde)
o maldito salva-vidas a gritar:
lá vem golias!
lá vem mata-gato!
lá vem massiste!

na oficina:
a solidão dos relógios
o carrilhão na parede
a espera do conserto
que não viria

sexta-feira à noite:
os cabarés da Côndor
minha iniciação sexual
que já não seria apenas um desejo
nem uma mentira

pai...
na terça-feira gorda
quando já não havia
qualquer esperança de folguedo
um anjo do mal lhe pegou pela mão
e levou-lhe para um lugar desconhecido

pai...
quantas lições perdidas
tantas outras aprendidas
e nem houve tempo
de retribuir-lhe o sonho

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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vem o passado

vem o passado
(embrulhado em papel de pão)
e diz que já é tempo
de pagar o conserto
da velha máquina de escrever

o passado é a velha tecla empoeirada
suja de tinta e lubrificante
que “seu” jordão limpava com paciência
e sabia que ela jamais seria a mesma
e já não gravaria como antes
na branca pele do papel “chamex”

mas a tecla do teu sorriso
iluminada pelos olhos de criança
cravava em mim um chamado
(algo que jamais entendi)
talvez um apelo que detrás da porta
me acompanharia os passos
para sempre

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ronaldogiusti

Publicado há 1680 dias - 0 estrelas

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o poeta advoga em causa própria:

quer da musa o afago

e promete: nada retribuirá

a não ser a sensação de felicidade

o sorriso múltiplo

que da boca ilumina o quarto

sem saber que na escura noite

é o único ponto de luz

a chocar-se com o clarão da lua...

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