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Pão Nosso - Chico Xavier - Emmanuel

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Pão Nosso - Chico Xavier - Emmanuel

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portella32

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30 - CONVENÇÕES
“E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por
causa do sábado.” — (MARCOS, CAPÍTULO 2, VERSÍCULO 27.)
O sábado, nesta passagem evangélica, simboliza as convenções organizadas para o
serviço humano. Há criaturas que por elas sacrificam todas as possibilidades de
elevação espiritual. Quais certos encarregados dos serviços públicos que adiam indefinidamente
determinadas providências de interesse coletivo, em virtude da ausência de
um selo minúsculo, pessoas existem que, por bagatelas, abandonam grandes
oportunidades de união com a esfera superior.
Ninguém ignora o lado útil das convenções. Se fossem totalmente imprestáveis, o Pai
não lhes permitiria a existência no jogo das circunstâncias. São tabelas para a
classificação dos esforços de cada um, tábuas que designam o tempo adequado a
esse ou àquele mister; todavia, transformá-las em preceito inexpugnável ou em
obstáculo intransponível, constitui grave dano à tranqüilidade comum.
A maioria das pessoas atende-as, antes da própria obediência a Deus; entretanto, o
Altíssimo dispôs todas as organizações da vida para que ajudem a evolução e o
aprimoramento dos filhos.
O próprio Planeta foi edificado por causa do homem.
Se o Criador foi a esse extremo de solicitude em favor das criaturas, por que deixarmos
de satisfazer-lhe os divinos desígnios, prendendo-nos às preocupações inferiores da
atividade terrestre?
As convenções definem, catalogam, especificam e enumeram, mas não devem
tiranizar a existência. Lembra-te de que foram dispostas no caminho a fim de te
servirem. Respeita-as, na feição justa e construtiva; contudo, não as convertas em
cárcere.

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portella32

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29 - A VINHA
“E disse-lhes: Ide vós também para a vinha e dar-vos-ei o que for justo. E eles
foram.” — (MATEUS, CAPÍTULO 20, VERSÍCULO 4.)
Ninguém poderá pensar numa Terra cheia de beleza e possibilidades, mas vogando ao
léu na imensidade universal.
O Planeta não é um barco desgovernado. As coletividades humanas costumam cair
em desordem, mas as leis que presidem aos destinos da Casa Terrestre se expressam
com absoluta harmonia. Essa verificação nos ajuda a compreender que a Terra é a
vinha de Jesus. Aí, vemo-lo trabalhando desde a aurora dos séculos e aí assistimos à
transformação das criaturas, que, de experiência a experiência, se lhe integram no
divino amor.
A formosa parábola dos servidores envolve conceitos profundos. Em essência, designa
o local dos serviços humanos e refere-se ao volume de obrigações que os aprendizes
receberam do Mestre Divino.
Por enquanto, os homens guardam a ilusão de que o orbe pode ser o tablado de
hegemonias raciais ou políticas, mas perceberão em tempo o clamoroso engano,
porque todos os filhos da razão, corporificados na Crosta da Terra, trazem consigo a
tarefa de contribuir para que se efetue um padrão de vida mais elevado no recanto em
que agem transitoríamente.
Onde quer que estejas, recorda que te encontras na Vinha do Cristo.
Vives sitiado pela dificuldade e pelo infortúnio?
Trabalha para o bem geral, mesmo assim, porque o Senhor concedeu a cada
cooperador o material conveniente e justo.

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portella32

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28 - E OS FINS?
“Mas nem todas as coisas edificam.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS
CORÍNTIOS, CAPÍTULO 10, VERSÍCULO 23.)
Sempre existiram homens indefiníveis que, se não fizeram mal a ninguém, igualmente
não beneficiaram a pessoa alguma.
Examinadas nesse mesmo prisma, as coisas do caminho precisam interpretação
sensata, para que se não percam na inutilidade.
É lícito ao homem dedicar-se à literatura ou aos negócios honestos do mundo e
ninguém poderá contestar o caráter louvável dos que escolhem conscientemente a
linha de ação individual no serviço útil. Entretanto, será justo conhecer os fins daquele
que escreve ou os propósitos de quem negocia. De que valerá ao primeiro a produção
de longas obras, cheias de lavores verbais e de arroubos teóricos, se as suas palavras
permanecem vazias de pensamento construtivo para o plano eterno da alma? em que
aproveitará ao comerciante a fortuna imensa, conquistada através da operosidade e do
cálculo, quando vive estagnada nos cofres, aguardando os desvarios dos
descendentes? Em ambas as situações, não se poderia dizer que tais homens
cogitavam de realizações ilícitas; todavia, perderam tempo precioso, esquecendo que
as menores coisas trazem finalidade edificante.
O trabalhador cônscio das responsabilidades que lhe competem não se desvia dos
caminhos retos.
Há muita aflição e amargura nas oficinas do aperfeiçoamento terrestre, porque os seus
servidores cuidam, antes de tudo, dos ganhos de ordem material, olvidando os fins a
que se destinam. Enquanto isso ocorre, intensificam-se projetos e experimentos, mas
falta sempre a edificação justa e necessária.

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portella32

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27 - ESMAGAMENTO DO MAL
“E o Deus de paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés.” —
Paulo. (ROMANOS, CAPÍTULO 16, VERSÍCULO 20.)
Em toda parte do Planeta se poderá reconhecer a luta sem tréguas, entre o bem e o
mal.
Manifesta-se o grande conflito, sob as mais diversas formas, e, no turbilhão de seus
movimentos, muitas almas sensíveis, de modo invariável, conservam-se na atitude de
invocação aos gênios tutelares para que estes venham à arena combater os inimigos
que as atordoam, prostrando-os de vez.
Solicitar auxílio ou recorrer à lei da cooperação representam atos louváveis do Espírito
que identifica a própria fraqueza, contudo, insistir para que outrem nos substitua no
esforço, que somente a nós outros cabe despender, demonstra falsa posição,
suscetível de acentuar-nos as necessidades.
Satanás, representando o poder do mal, na vida humana, será esmagado por Deus;
todavia, Paulo de Tarso define, com bastante clareza, o local da vitória divina. O triunfo
supremo verificar-se-á sob os pés do homem.
Quando a criatura, pela própria dedicação ao trabalho iluminativo, se entregar ao Pai,
sem reservas, efetuando-lhe a vontade sacrossanta, com esquecimento do velho
egoísmo animal, apreendendo a grandeza de sua posição de espírito eterno, atingirá a
vitória sublime.
O Senhor Todo-Paternal já se entregou aos filhos terrestres, mas raros filhos se
entregaram a Ele. Indispensável, pois, não esquecer que o mal não será eliminado, a
esmo, e sim debaixo dos pés de cada um de nós.

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portella32

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26 - TRABALHOS IMEDIATOS
“Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não
por força, mas espontaneamente, segundo a vontade de Deus; nem por torpe
ganância, mas de ânimo pronto.” — (1ª EPÍSTOLA A PEDRO, CAPÍTULO 5,
VERSÍCULO 2.)
Naturalmente, na pauta das possibilidades justas, ninguém deverá negar amparo ou
assistência aos companheiros que acenam de longe com solicitações razoáveis;
entretanto, constitui-nos obrigação atender ao ensinamento de Pedro, quanto aos
nossos trabalhos imediatos.
Há criaturas que se entregam gostosamente àvolúpia da inquietação por
acontecimentos nefastos, planejados pela mente enfermiça dos outros e que,
provavelmente, nunca sobrevirão.
Perdem longo tempo receitando fórmulas de ação ou desferindo lamentos inúteis.
A lavoura alheia e as ocorrências futuras, para serem examinadas, exigem sempre
grandes qualidades de ponderação.
Além do mais, é imprescindível reconhecer que o problema difícil, ao nosso lado ou a
distância de nós, tem a finalidade de enriquecer-nos a experiência própria, habilitandonos
à solução dos mais intrincados enigmas do caminho.
Eis a razão pela qual a nota de Simão Pedro éprofunda e oportuna, para todos os
tempos e situações.
Atendamos aos imperativos do serviço divino que se localiza em nossa paisagem
individual, não através de constrangimento, mas pela boa-vontade espontânea, fugindo
cada vez mais aos nossos interesses particularistas e de ânimo firme e pronto para
servir ao bem, tanto quanto nos seja possível.
As vezes, é razoável preocupar-se o homem com a situação mundial, com a
regeneração das coletividades, com as posições e responsabilidades dos outros, mas
não é justo esquecermo-nos daquele “rebanho de Deus que está entre nós”.

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portella32

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25 - NAS ESTRADAS
“E os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é
semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que neles
foi semeada.” — Jesus. (MARCOS, CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 15.)
Jesus é o nosso caminho permanente para o Divino Amor.
Junto dele seguem, esperançosos, todos os espíritos de boa-vontade, aderentes
sinceros ao roteiro santificador.
Dessa via bendita e eterna procedem as sementes da Luz Celestial para os homens
comuns.
Faz-se imprescindível muita observação das criaturas, para que o tesouro não lhes
passe despercebido.
A semente santificante virá sempre, entre as mais variadas circunstâncias.
Qual ocorre ao vento generoso que espalha, entre as plantas, os princípios de vida,
espontaneamente, a bondade invisível distribui com todos os corações a oportunidade
de acesso à senda do amor.
Quase sempre a centelha divina aparece nos acontecimentos vulgares de cada dia,
num livro, numa particularidade insignificante do trabalho, na prestimosa observação
de um amigo.
Se o terreno de teu coração vive ocupado por ervas daninhas e se já recebeste o
princípio celeste, cultiva-o, com devotamento, abrigando-o nas leiras de tua alma. O
verbo humano pode falhar, mas a Palavra do Senhor é imperecível. Aceita-a e cumprea,
porque, se te furtas ao imperativo da vida eterna, cedo ou tarde o anjo da angústia te
visitará o espírito, indicando-te novos rumos.

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portella32

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24 - FILHOS PRÓDIGOS
“E caindo em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundãncia de
pão, e eu aqui pereço de fome!” — (LUCAS, CAPÍTULO 15, VERSÍCULO 17.)
Examinando-se a figura do filho pródigo, toda gente idealiza um homem rico,
dissipando possibilidades materiais nos festins do mundo.
O quadro, todavia, deve ser ampliado, abrangendo as modalidades diferentes.
Os filhos pródigos não respiram somente onde se encontra o dinheiro em abundância.
Acomodam-se em todos os campos da atividade humana, resvalando de posições
diversas.
Grandes cientistas da Terra são perdulários da inteligência, destilando venenos
intelectuais, indignos das concessões de que foram aquinhoados. Artistas preciosos
gastam, por vezes, inutilmente, a imaginação e a sensibilidade, através de aventuras
mesquinhas, caindo, afinal, nos desvãos do relaxamento e do crime.
Em toda parte, vemos os dissipadores de bens, de saber, de tempo, de saúde, de
oportunidades...
São eles que, contemplando os corações simples e humildes, em marcha para Deus,
possuídos de verdadeira confiança, experimentam a enorme angústia da inutilidade e,
distantes da paz Intima, exclamam desalentados:
— “Quantos trabalhadores pequeninos guardam o pão da tranqüilidade, enquanto a
fome de paz me tortura o espírito!”
O mundo permanece repleto de filhos pródigos e, de hora a hora, milhares de vozes
proferem aflitivas exclamações iguais a esta.

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portella32

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23 - NÃO É DE TODOS
“E para que sejamos livres de homens dissolutos e maus, porque a fé não é
de todos.” — Paulo. (2ª EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES, CAPÍTULO 3,
VERSÍCULO 2.)
Dirigindo-se aos irmãos de Tessalonica, o apóstolo dos gentios rogou-lhes concurso
em favor dos trabalhos evangélicos, para que o serviço do Senhor estivesse isento dos
homens maus e dissolutos, justificando apelo com a declaração de que a fé não é de
todos.
Através das palavras de Paulo, percebe-se-lhe a certeza de que as criaturas perversas
se aproximariam dos núcleos de trabalho cristianizante, que a malícia delas poderia
causar-lhes prejuízos e que era necessário mobilizar os recursos do espírito contra
semelhante influência.
O grande convertido, em poucas palavras, gravou advertência de valor infinito,
porque, em verdade, a cor religiosa caracterizará a vestimenta exterior de
comunidades inteiras, mas a fé será patrimônio somente daqueles que trabalham sem
medir sacrifícios, por instalá-la no santuário do próprio mundo intimo. A rotulagem de
cristianismo será exibida por qualquer pessoa, todavia, a fé cristã revelar-se-á pura,
incondicional e sublime em raros corações. Muita gente deseja assenhorear-se dela,
como se fora mera letra de câmbio, enquanto que inúmeros aprendizes do Evangelho a
invocam, precipitados, qual se fora borboleta erradia. Esquecem-se, porém, de que se
as necessidades materiais do corpo reclamam esforço pessoal diário, as necessidades
essenciais do espírito nunca serão solucionadas pela expectação inoperante.
Admitir a verdade, procurá-la e acreditar nela são atitudes para todos; contudo, reter a
fé viva constitui a realização divina dos que trabalharam, porfiaram e sofreram pela
adquirir.

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portella32

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22 - INCONSTANTES
“Porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e
lançada de uma para outra parte.” — (TIAGO, CAPÍTULO 1, VERSÍCULO 6.)
Inegavelmente existe uma dúvida científica e filosófica no mundo que, alojada em
corações leais, constitui precioso estímulo à posse de grandes e elevadas convicções;
entretanto, Tiago refere-se aqui à inconstância do homem que, procurando receber os
benefícios divinos, na esfera das vantagens particularístas, costuma perseguir variadas
situações no terreno da pesquisa intelectual sem qualquer propósito de confiar nos
valores substanciais da vida.
Quem se preocupa em transpor diversas portas, em movimento simultâneo, acaba sem
atravessar porta alguma.
A leviandade prejudica as criaturas em todos os caminhos, mormente nas posições de
trabalho, nas enfermidades do corpo e nas relações afetivas.
Para que alguém ajuíze com acerto, com respeito a determinada experiência, precisa
enumerar quantos anos gastou dentro dela, vivendo-lhe as características.
Necessitamos, acima de tudo, confiar sincera-mente na Sabedoria e na Bondade do
Altíssimo, compreendendo que é indispensável perseverar com alguém ou com alguma
causa que nos ajude e edifique.
Os inconstantes permanecem figurados na onda do mar, absorvida pelo vento e atirada
de uma para outra parte.
Quando servires ou quando aguardares as bênçãos do Alto, não te deixes conduzir
pela inquietude doentia. O Pai dispõe de inumeráveis instrumentos para administrar o
bem e é sempre o mesmo Senhor Paternal, através de todos eles. A dádiva chegará,
mas depende de ti, da maneira de procederes na luta construtiva, persistindo ou não
na confiança, sem a qual o Divino Poder encontra obstáculos naturais para exprimir-se
em teu caminho.

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portella32

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21 - MAR ALTO
“E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao mar alto, e lançai as
vossas redes para pescar.” — (LUCAS, CAPÍTULO 5, VERSÍCULO 4.)
Este versículo nos leva a meditar nos companheiros de luta que se sentem
abandonados na experiência humana.
Inquietante sensação de soledade lhes corta o coração.
Choram de saudade, de dor, renovando as amarguras próprias.
Acreditam que o destino lhes reservou a taça da infinita amargura.
Rememoram, compungidos, os dias da infância, da juventude, das esperanças
crestadas nos conflitos do mundo.
No íntimo, experimentam, a cada instante, o vago tropel das reminiscências que lhes
dilatam as impressões de vazio.
Entretanto, essas horas amargas pertencem a todas as criaturas mortais.
Se alguém as não viveu em determinada região do caminho, espere a sua
oportunidade, porqüanto, de modo geral, quase todo Espírito se retira da carne,
quando os frios sinais de inverno se multiplicam em torno.
Em surgindo, pois, a tua época de dificuldade, convence-te de que chegaram para tua
alma os dias de serviço em “mar alto”, o tempo de procurar os valores justos, sem o
incentivo de certas ilusões da experiência material. Se te encontras sozinho, se te
sentes ao abandono, lembra-te de que, além do túmulo, há companheiros que te
assistem e esperam carinhosamente.
O Pai nunca deixa os filhos desamparados, assim, se te vês presentemente sem laços
domésticos, sem amigos certos na paisagem transitória do Planeta, é que Jesus te
enviou a pleno mar da experiência, a fim de provares tuas conquistas em supremas
lições.

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portella32

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20 - A MARCHA
“Importa, porém, caminhar hoje, amanhã e no dia seguinte.” — Jesus.
(LUCAS, CAPÍTULO 13, VERSÍCULO 33.)
Importa seguir sempre, em busca da edificação espiritual definitiva. Indispensável
caminhar, vencendo obstáculos e sombras, transformando todas as dores e
dificuldades em degraus de ascensão.
Traçando o seu programa, referia-se Jesus àmarcha na direção de Jerusalém, onde o
esperava a derradeira glorificação pelo martírio. Podemos aplicar, porém, o
ensinamento às nossas experiências incessantes no roteiro da Jerusalém de nossos
testemunhos redentores.
É imprescindível, todavia, esclarecer a característica dessa jornada para a aquisição
dos bens eternos.
Acreditam muitos que caminhar é invadir as situações de evidência no mundo,
conquistando posições de destaque transitório ou trazendo as mais vastas expressões
financeiras ao circulo pessoal.
Entretanto, não é isso.
Nesse particular, os chamados “homens de rotina” talvez detenham maiores
probabilidades a seu favor.
A personalidade dominante, em situações efêmeras, tem a marcha inçada de perigos,
de responsabilidades complexas, de ameaças atrozes. A sensação de altura aumenta
a sensação de queda.
É preciso caminhar sempre, mas a jornada compete ao Espírito eterno, no terreno das
conquistas Interiores.
Muitas vezes, certas criaturas que se presumem nos mais altos pontos da viagem, para
a Sabedoria Divina se encontram apenas paralisadas na contemplação de fogosfátuos.
Que ninguém se engane nas estações de falso repouso.
Importa trabalhar, conhecer-se, iluminar-se e atender ao Cristo, diariamente. Para
fixarmos semelhante lição em nós, temos nascido na Terra, partilhando-lhe as lutas,
gastando-lhe os corpos e nela tornaremos a renascer.

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portella32

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19 - FALSAS ALEGAÇÕES
“Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me
atormentes.” — (LUCAS, CAPÍTULO 8, VERSÍCULO 28.)
O caso do Espírito perturbado que sentiu a aproximação de Jesus, recebendo-lhe
a presença com furiosas indagações, apresenta muitos aspectos dignos de estudo.
A circunstância de suplicar ao Divino Mestre que não o atormentasse requer muita
atenção por parte dos discípulos sinceros.
Quem poderá supor o Cristo capaz de infligir tormentos a quem quer que seja? E,
no caso, trata-se de uma entidade ignorante e perversa que, nos intimos desvarios,
muito já padecia por si mesma. A vizinhança do Mestre, contudo, trazia-lhe claridade
suficiente para contemplar o martírio da própria consciência, atolada num pântano de
crimes e defecções tenebrosas. A luz castigava-lhe as trevas interiores e revelava-lhe a
nudez dolorosa e digna de comiseração.
O quadro é muito significativo para quantos fogem das verdades religiosas da vida,
categorizando-lhe o conteúdo à conta de amargo elixir de angústia e sofrimento. Esses
espíritos indiferentes e gozadores costumam afirmar que os serviços da fé alagam o
caminho de lágrimas, enevoando o coração.
Tais afirmativas, no entanto, denunciam-nos. Em maior ou menor escala, são
companheiros do irmão infeliz que acusava Jesus por ministro de tormentos.

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